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O projeto executivo de arquitetura é a etapa em que o projeto ganha o detalhe necessário para ser orçado e construído: cada ambiente cotado, cada material especificado, cada encontro entre elementos resolvido no desenho. Sem ele, a obra é orçada por estimativa e decidida no canteiro.
Ele vem depois do projeto aprovado, quando a obra depende de alvará, e antes do orçamento definitivo da obra. A MAND Projetos elabora o executivo de arquitetura e o compatibiliza com os projetos complementares de estrutura e instalações, que são desenvolvidos pelos profissionais habilitados de cada disciplina.
O que é o projeto executivo e onde ele entra
É a última etapa de desenvolvimento do projeto de arquitetura antes da obra. Na ABNT NBR 16636-2:2017, aparece como projeto executivo arquitetônico (PE-ARQ) e parte do anteprojeto já definido.
- 1 Anteprojeto Solução de arquitetura definida
- 2 Projeto legal Peças para aprovação no órgão
- 3 Executivo Detalhamento para orçar e construir
- 4 As built Registro do que foi construído
O executivo não repete o projeto aprovado com mais cotas. O projeto legal mostra o que o órgão precisa analisar: áreas, recuos, alturas, usos. O executivo mostra o que a obra precisa saber: como a parede encontra o piso, qual é a espessura do contrapiso, onde para a impermeabilização, qual esquadria vai em cada vão e com que acabamento.
Por isso "projeto arquitetônico ou projeto executivo?" não é uma escolha entre dois serviços: o executivo é o próprio projeto de arquitetura levado ao nível de detalhe da obra. Se o projeto ainda está nas etapas anteriores, o caminho começa pelo projeto arquitetônico: estudo preliminar, anteprojeto e projeto para licenciamento.
Executivo de reforma
A reforma que mexe em paredes, áreas molhadas ou instalações também se beneficia de um executivo, mesmo quando dispensa alvará: refazer um banheiro ou uma cozinha com mudança de pontos já pede ampliações e especificações. O que muda é o ponto de partida. A base é a edificação como está hoje, medida no local, e não as plantas antigas, que muitas vezes não batem com o que foi construído; por isso o executivo de reforma costuma começar por um as built do existente.
As pranchas distinguem o que se mantém, o que se demole e o que se constrói, para que o empreiteiro orce cada parte. E marcam as interfaces com a estrutura e as instalações que ficam: pilar, viga, laje ou prumada existente só é alterado com o projeto e a responsabilidade do profissional daquela disciplina.
O que entra no projeto executivo: checklist
Um executivo de arquitetura reúne desenhos, detalhes e textos. O conteúdo exato depende do porte e do uso da obra e é fixado em contrato, mas alguns grupos de peças aparecem em praticamente todos.
Desenhos gerais
- implantação com informações planialtimétricas e locação da edificação no terreno;
- plantas de todos os pavimentos com cotas, eixos, níveis de piso acabado e áreas;
- cortes longitudinais e transversais e elevações de todas as fachadas;
- planta de cobertura com caimentos, calhas e rufos;
- plantas de forro e de paginação de pisos e revestimentos, quando o escopo inclui.
Ampliações e detalhes
- ampliações de banheiros, cozinhas, lavanderias e outros ambientes especiais, com vistas das paredes;
- quadro de esquadrias, com dimensões, tipo de abertura, material e acabamento;
- detalhes de escadas, rampas, guarda-corpos e corrimãos;
- detalhes de soleiras, peitoris, encontros de revestimentos e impermeabilização (aspectos de arquitetura).
Textos e quantitativos
- memorial descritivo dos elementos e componentes da edificação;
- especificações de materiais e acabamentos por ambiente;
- quantitativos de componentes e materiais que servem de base para o orçamento da obra.
Quantitativo não é orçamento. O executivo diz quanto de cada item a obra precisa; preços, composição de custos e cronograma são feitos por quem orça e executa a obra, a menos que a proposta de projeto inclua expressamente essa etapa.
Como conferir se um executivo está completo
- Todo ambiente tem cotas internas e nível de piso acabado?
- Cada área molhada tem ampliação com vistas das paredes?
- Cada vão tem uma esquadria correspondente no quadro?
- As especificações dizem material, dimensão e acabamento, sem "a definir"?
- As pranchas indicam a revisão e a data, e batem com as dos complementares?
Anteprojeto, projeto básico e projeto executivo: diferenças
A diferença está no nível de definição. O anteprojeto define a solução; o projeto para licenciamento traduz essa solução para o órgão; o executivo resolve como construí-la. "Projeto básico" não é uma etapa da NBR 16636-2: é um termo usado em contratos, que precisa ter o conteúdo definido caso a caso.
| Etapa | Pergunta que responde | Serve para |
|---|---|---|
| Anteprojeto | Como será a edificação? | Fechar a arquitetura com o cliente e iniciar os complementares |
| Projeto para licenciamento | O que o órgão precisa analisar? | Pedir alvará e demais aprovações |
| Projeto básico | Depende do contrato | Quando aparece numa proposta, vale exigir a lista de peças que ele inclui |
| Projeto executivo | Como construir cada parte? | Orçar, contratar, comprar materiais e executar |
Compatibilização com estrutura e instalações
O executivo de arquitetura só fecha quando conversa com os complementares. A NBR 16636-2 trata o executivo arquitetônico como integrado aos projetos das outras especialidades, formando o projeto completo da edificação.
Na prática, isso significa sobrepor a arquitetura aos projetos de fundações, estrutura, instalações elétricas, hidráulicas, de climatização e de segurança contra incêndio e resolver os conflitos: a viga que passa sobre a porta, o pilar que invade o banheiro, a prumada que não tem shaft, o duto que não cabe na altura do forro. A MAND Projetos faz esse cruzamento como parte do executivo; quando a obra envolve muitas disciplinas, ele pode ser contratado como serviço próprio de compatibilização de projetos.
Os projetos complementares continuam sendo responsabilidade dos seus autores. A compatibilização aponta os conflitos e coordena as revisões; quem altera o projeto de estrutura é o engenheiro de estrutura.
O que acontece quando a obra começa sem executivo
A obra não para por falta de detalhe: alguém decide no lugar do projeto. Em geral, o encarregado, com a informação que tem no momento e sem enxergar as consequências em outras partes da edificação.
- Orçamentos que não se comparam: cada empreiteiro supõe um padrão de acabamento e uma quantidade de material, e a proposta mais barata costuma ser a que supôs menos.
- Compras de última hora: esquadrias, louças e revestimentos definidos com a obra em andamento entram no cronograma como atraso e no custo como urgência.
- Conflitos descobertos com a parede pronta: tubulação sem passagem, viga no caminho da porta, forro sem altura para o equipamento.
- Aditivos: o que não estava descrito no contrato vira serviço extra.
- Nenhum registro do que foi feito: sem um projeto de referência, o as built do fim da obra precisa ser feito do zero.
Para construtoras e incorporadores
Para quem constrói, o executivo é a base do orçamento, do cronograma e das compras. Quanto mais completo, menos a obra depende de consultas ao projetista e de decisões tomadas às pressas.
- Orçamento comparável: com quantitativos e especificações fechados, as propostas de empreiteiros e fornecedores passam a cotar o mesmo escopo.
- Menos aditivos: itens que não estão no projeto são os que viram pedido de aditivo durante a obra.
- Controle de revisões: cada prancha com número de revisão e data evita que o canteiro trabalhe com versão desatualizada.
- Formato de entrega: arquivos editáveis e PDF, no padrão de pranchas combinado em contrato.
Como a MAND Projetos desenvolve o executivo
O executivo começa pela conferência do que já existe e termina com um conjunto de pranchas revisado junto com os complementares.
- Conferência do projeto aprovado Comparação entre o anteprojeto, o projeto aprovado e eventuais mudanças pedidas pelo cliente depois da aprovação.
- Definição de padrão e acabamentos Materiais, esquadrias, louças e revestimentos combinados com o cliente antes do detalhamento.
- Recebimento dos complementares Projetos de estrutura e instalações na revisão vigente, com a mesma base de eixos e níveis.
- Detalhamento Plantas, cortes, ampliações, detalhes, memorial, especificações e quantitativos.
- Compatibilização Cruzamento com as demais disciplinas e revisão das pranchas afetadas.
- Entrega Pranchas e arquivos com número de revisão e data, e registro de responsabilidade técnica.
Durante e depois da obra
O executivo pode ser alterado durante a obra, mas a alteração precisa ser acordada antes de ser executada. A boa prática é que toda alteração seja combinada entre cliente, construtor e projetistas antes de ir para o canteiro.
Ao final, o projeto é atualizado para a documentação "conforme construído". É o as built, que registra o que foi efetivamente executado, confrontado com o executivo, e serve para uso, manutenção e futuras reformas da edificação.
Quanto custa um projeto executivo
O custo depende do tamanho e da complexidade da obra e do nível de detalhe pedido. Os honorários da MAND Projetos são sob consulta, a partir da análise do projeto existente.
O que define o escopo:
- área construída, número de pavimentos e repetição entre eles;
- uso da edificação e quantidade de áreas molhadas e ambientes especiais;
- nível de detalhamento esperado (forros, paginações, fachadas);
- número de disciplinas complementares a compatibilizar;
- situação dos arquivos de origem, especialmente quando o anteprojeto foi feito por outro escritório;
- padrão de entrega e número de revisões previstas.
Ao contrário do alvará, o executivo não tem taxa pública associada. No Município de São Paulo, o licenciamento é feito com o projeto simplificado; o executivo, em regra, não é protocolado na Prefeitura, e o seu custo é só o do trabalho técnico.
Perguntas frequentes
O projeto executivo é obrigatório?
Para obras privadas, em regra, não é uma exigência da Prefeitura: o licenciamento analisa o projeto preparado para aprovação. O executivo é necessário para quem vai orçar, contratar e construir, porque é nele que estão as informações que a obra usa.
Preciso de projeto executivo para uma reforma?
Depende do porte. Uma troca de revestimentos pode ser resolvida com poucas pranchas; uma reforma que mexe em paredes, áreas molhadas, esquadrias e instalações se beneficia de um executivo, mesmo que reduzido, porque é ali que surgem as dúvidas mais caras no canteiro.
Dá para começar o executivo antes de o alvará sair?
Dá, com um risco conhecido: se a Prefeitura pedir mudanças na análise, as pranchas já detalhadas precisam ser revistas. Uma forma de reduzir esse risco é começar pelas partes que a análise municipal não altera, como áreas molhadas e especificações de acabamento, e deixar implantação e volumetria para depois do alvará.
Quem pode fazer o projeto executivo?
O executivo de arquitetura é elaborado por arquiteto e urbanista, com RRT, ou por engenheiro com atribuição para projeto de edificações, com ART. Os executivos de estrutura e instalações são feitos pelos profissionais habilitados de cada disciplina.
Um escritório diferente pode fazer o executivo de um projeto já aprovado?
Pode. O ponto de partida são os arquivos do projeto aprovado e do anteprojeto. Antes de detalhar, é preciso conferir se esses arquivos estão completos e atualizados e combinar como ficam a autoria e as alterações em relação ao que foi aprovado.
Fontes e referências
Fontes oficiais consultadas em 28/09/2026.
- ABNT NBR 16636-2:2017 — Projeto arquitetônico (consulta no catálogo oficial) — Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
- Lei nº 12.378/2010 — regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo (atribuições e RRT) — Presidência da República (Planalto)
- Lei nº 6.496/1977 — institui a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) — Presidência da República (Planalto)
- Decreto nº 57.776/2017 — regulamenta o Código de Obras e Edificações (art. 17: projeto simplificado no Alvará de Aprovação) — Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), Prefeitura de São Paulo

